Primeiro deve-se considerar que eles não o fazem de forma solitária. Na realidade o governo de Washington tem tido o respaldo da ONU por intermédio do Conselho de segurança que autorizou sucessivas resoluções impondo sanções a Teerã. em virtude da falta de cooperaçao dos iranianos acerca de seu programa nuclear.
Segundo as autoridades iraniana seu programa visa desenvolver o uso pacífico da energia atômica – pelo que, só haveria o enriquêcimento de urânio em níveis não militares como para uma bomba. Mas a falta de transparência e as posições desafiadoras do governo Ahmadinejad levaram nos últimos anos a uma escalada da retórica de guerra.
Para o Irã é uma forma de forçar a unidade interna contra os estrangeiros – desviando a atenção e reforçando o governo – que teve sua legitimidade bastante questionada na última eleição.
Para os Estados Unidos é uma forma de posicionar-se abertamente ao lado de Israel e até certo ponto evitar que Tel Aviv aja unilateralmente contra os iranianos. Embora os israelenses, portando um arsenal nuclear de cerca de 200 bombas, insistam que a ameaça é o Irã – que não tem nenhuma.
Para o governo Obama, os líderes iranianos fazem um jogo de ganhar tempo e impor uma situação de chantagem equivalente a que existe hoje em relação a Coreia do Norte. E em não sendo transparente, o governo de Teerã se torna um fator de instabilidade regional e até mundial; mas apesar da retórica, parece pouco provável que se vá a guerra numa região tão nevrálgica para a circulação da principal fonte de energia planetária.
Um conflito que levasse ao aumento descontrolado da cotação do petróleo, atingiria em cheio uma cambaleante economia europeia e uma recuperação da economia norte-americana recém iniciada. E está interrupção decorreria, por exemplo:
- da ameça de guerra no Golfo Pérsico;
- de uma guerra de fato que ameaçasse a circulação dos petroleiros ou a integridade de plataformas e terminais de embarque;
- uma guerra que iniciada em termos convencionais sofresse uma escalada nuclear com a possibilidade de contaminação radiativa até das reservas de petróleo da região.
Se por um lado EUA/União Europeia/Israel fazem causa comum contra o Irã, este, por sua vez, não está solitário.
A Rússia já advertiu que não apoiará novas sanções e a China, ao longo de 2011 assinou grandes contratos com aquele país: exploração de gás, construção de várias refinarias, ampliação de outras e um oleoduto de 1600 Km.